Os números da projeção
Um estudo conjunto do EBANX com a World Data Lab, divulgado em outubro de 2026, projeta que os gastos online dos brasileiros vão crescer 104% na próxima década. A participação do e-commerce no consumo total passaria de 11,5% para 15,2% até 2036.
Para colocar em perspectiva: se o e-commerce brasileiro movimentou cerca de R$ 260 bilhões em 2026 (projeção da Abiacom), dobrar esse número significaria ultrapassar R$ 500 bilhões anuais em transações digitais. São cifras que indicam um mercado que ainda está longe da maturidade.
O que sustenta esse crescimento
Três fatores aparecem de forma recorrente nas análises. O primeiro é o acesso à internet e aos smartphones. O Brasil ainda tem bolsões de população que estão entrando no e-commerce pela primeira vez, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
O segundo fator é a evolução dos meios de pagamento. O Pix transformou o cenário de pagamentos digitais no Brasil e abriu portas para consumidores que não tinham acesso a cartão de crédito. A integração do Pix com plataformas de e-commerce continua avançando, reduzindo barreiras de entrada.
O terceiro é a logística. A malha de entrega no Brasil melhorou consideravelmente nos últimos anos, com empresas como Magalu, Mercado Livre e Amazon investindo em centros de distribuição regionais. O prazo médio de entrega caiu, e a expectativa do consumidor subiu junto.
O que não está na projeção
Projeções de uma década carregam incertezas grandes. O estudo não detalha como a inflação afeta os números (crescimento nominal versus real), nem considera choques macroeconômicos. Uma recessão, mudanças regulatórias ou disrupções tecnológicas podem acelerar ou frear a curva.
Outro ponto que merece atenção: a concentração de mercado. No Brasil, Mercado Livre, Amazon, Magalu e Shopee dominam o volume de transações. O crescimento do e-commerce pode se concentrar nesses players, enquanto lojas independentes competem por uma fatia menor.
O que muda para lojas Shopify no Brasil
O crescimento projetado valida a decisão de operar online. Se o mercado vai dobrar, estar fora é abrir mão de receita. Para lojas que já estão no Shopify, o desafio é capturar uma parcela desse crescimento sem depender exclusivamente de marketplaces.
A estratégia passa por três pilares. Primeiro, investir em marca própria e canal direto. Lojas que constroem audiência própria (e-mail, WhatsApp, redes sociais) têm custo de aquisição menor e margem maior do que sellers de marketplace.
Segundo, otimizar para os novos canais de descoberta. SEO continua relevante, mas as buscas via IA (ChatGPT, Google AI Overviews, Perplexity) estão crescendo. Lojas que estruturam dados de produto para serem encontradas por agentes de IA se posicionam para capturar o tráfego do futuro.
Terceiro, adaptar a logística. O consumidor brasileiro é sensível a prazo e custo de frete. Lojas que oferecem opções flexíveis (retirada em loja, entrega expressa, frete grátis acima de um valor mínimo) convertem mais.
Uma reflexão sobre o prazo
Dez anos parecem um horizonte distante, mas decisões de plataforma, dados e marca se acumulam. Uma loja que começa a estruturar seus dados de catálogo para IA hoje não vai ver resultado amanhã. Mas quando o volume de transações via agentes de IA se tornar relevante, os dados estarão prontos. O mesmo vale para SEO, retenção de clientes e logística: são investimentos que pagam ao longo de anos, não de semanas.
O crescimento de 104% não é garantia. É um cenário que exige ação. Lojas que se prepararem surfam a onda. As que não se prepararem assistem os concorrentes surfar.