O Google começou a migrar automaticamente campanhas de busca para o AI Max em 1 de setembro de 2026. Campanhas que usam correspondência ampla (broad match) ou recursos criados automaticamente (ACA) estão sendo convertidas sem que o anunciante precise fazer nada. O Google promete 7% mais conversões. Dados independentes de mais de 250 campanhas de varejo mostram queda de 35% no ROAS. A diferença entre esses dois números define o risco real da migração para quem vende online.
O que o AI Max faz de diferente
O AI Max usa inteligência artificial para expandir três frentes: interpretação da intenção de busca do usuário, variações de texto publicitário e seleção da página de destino. Na prática, o Google decide por você quais termos ativar, como redigir o anúncio e para onde enviar o clique. A promessa é que a IA encontre conversões que o anunciante não encontraria sozinho.
O problema: essa expansão pode acionar exibições para termos pouco qualificados. Uma loja de tênis de corrida pode começar a aparecer para buscas como \"tênis barato\" ou \"tênis infantil\", diluindo o orçamento em cliques que não convertem.
Por que os dados conflitam
O Google mede o desempenho com seus próprios modelos de atribuição. Campanhas AI Max reportam mais conversões porque a IA atribuiu mais conversões à campanha, não necessariamente porque o volume real de vendas cresceu. Quando empresas independentes medem com dados de servidor (server-side tracking), o cenário muda. O rastreamento via navegador perde entre 30% e 60% das conversões reais, e isso distorce a baseline de comparação.
Resultado: o Google compara AI Max contra uma baseline subdimensionada. O \"7% a mais\" pode ser, na verdade, recuperação de dados que o rastreamento por browser perdia.
O que fazer antes que a migração afete suas margens
Primeiro, implemente rastreamento server-side. Sem dados completos de conversão alimentando o algoritmo, o AI Max otimiza cego. Ferramentas como Google Tag Manager Server-Side, Stape ou TrackBee resolvem isso para lojas Shopify.
Segundo, audite sua conta Google Ads agora. Identifique quais campanhas já foram migradas e compare o desempenho antes e depois com métricas de receita real (não apenas conversões reportadas pelo Google). Foque em ROAS e margem de contribuição, não em volume de cliques.
Terceiro, mantenha campanhas de marca (branded) separadas do AI Max. A IA tende a canibalizar buscas de marca (que converteriam de qualquer forma) e atribuí-las como conquista do algoritmo.
Dynamic Search Ads: adiamento para fevereiro de 2027
Se você usa DSA (Dynamic Search Ads), o prazo de migração foi adiado para fevereiro de 2027. É tempo suficiente para testar o AI Max em campanhas menores antes de migrar o DSA. Use esse período para entender como a IA se comporta com seu catálogo específico.
O que a Shakers recomenda
A Shakers opera mídia paga para lojas Shopify e já está monitorando o impacto do AI Max nas contas sob gestão. A recomendação é direta: não confie nos números do Google sem validar com dados de servidor. Compare ROAS real (receita no ERP vs. investimento) antes e depois da migração. Se o ROAS real cair, ajuste os limites de lance e restrinja termos via negative keywords. A IA funciona melhor quando recebe dados limpos e restrições claras. Sem isso, ela gasta mais para converter menos.